Quando a mente se vicia em ideias insalubres, ela tece uma teia, e nessa teia ela mesma se enreda. A ilusão (Maya, para os hindus) é precisamente isso: acreditar que a construção mental é a realidade, que o medo é um fato e não uma fantasia, que a dor é uma condenação e não um sintoma. A dor, como o fogo, é um sinal. Ela aponta para a madeira que está queimando em sua mente; aponta para as amarras do pensar. O sofrimento não é a doença, mas o alarme. A doença é a ignorância de si mesmo, a falta de educação do pensar. Libertar-se não é reprimir, mas iluminar. É compreender que todo pensamento que causa sofrimento é um pensamento que precisa ser revisitado, questionado, dissolvido na luz da consciência. Pois como já cantavam os místicos de Rumi: “A ferida é o lugar por onde a luz entra em você.”
A maturidade não é uma conquista etária, mas uma decisão profunda do espírito. É o instante em que você assume a responsabilidade integral pela sua vida e compreende que o mal que os outros podem lhe fazer é superficial; o mal que você faz a si mesmo, esse é infinitamente mais danoso. É o momento em que você para de culpar o mundo, a genética, o passado, o destino, e, como um guerreiro que finalmente empunha a própria espada, decide olhar para dentro. A partir desse olhar, o que você vê? Lentes escuras ou lentes luminosas? O destino não é uma linha reta; é um campo de possibilidades que se colore conforme a lente com que você o observa.
Os estoicos, discípulos de Zenão, ensinavam: “Não é o que acontece com você, mas como você reage ao que acontece, que determina sua felicidade.” E os alquimistas, em suas buscas pela pedra filosofal, sabiam que a verdadeira transmutação não é do chumbo em ouro, mas da ignorância em sabedoria, do medo em amor.
Aquele abraço, O Curandeiro de Almas (@curandeirodealmas)