Setembro nos aproxima da força de São Cosme e São Damião, dos Ibejis e dos Erês, trazendo uma lembrança preciosa: crescer não deveria significar perder a capacidade de enxergar a vida com pureza.
Os Erês chegam com risos, doces, brincadeiras e uma aparente simplicidade. Mas por trás dessa leveza existe uma força espiritual profunda. Eles nos mostram que ser simples não é ser ingênuo, ser alegre não é desconhecer a dor e ter um coração puro não significa nunca ter sofrido.
Talvez seja justamente por conhecerem nossas dores que eles nos convidem a sorrir novamente.
O Erê nos ensina a alegria. Não aquela alegria que depende de tudo estar bem, mas a capacidade de encontrar uma pequena luz mesmo quando a caminhada está difícil. É o sorriso que devolve esperança à alma cansada.
Ensina também a verdade. Criança não sabe sustentar máscaras por muito tempo. E os Erês muitas vezes chegam tocando exatamente naquilo que escondemos de nós mesmos. Com palavras simples, podem revelar sentimentos que complicamos durante anos. Eles nos perguntam, de alguma maneira: por que você está tornando tão difícil aquilo que seu coração já sabe?
Há neles a força da curiosidade. A criança pergunta, observa, experimenta e aprende. O adulto, muitas vezes, acredita que já sabe. Por isso os Erês nos recordam que aquele que deseja crescer espiritualmente precisa continuar disposto a aprender.
Também carregam a força do recomeço. Uma criança pode cair, chorar e, pouco depois, levantar para brincar novamente. Quantas vezes nós caímos e permanecemos presos à queda? O Erê parece estender sua pequena mão e dizer: “Levanta. Ainda tem caminho.”
E talvez uma de suas maiores lições esteja na capacidade de perdoar e seguir adiante. Não porque aquilo que aconteceu deixou de importar, mas porque guardar para sempre a dor também nos impede de viver aquilo que ainda pode chegar.
Os Ibejis nos falam ainda da união e da complementaridade. O dois nos lembra que ninguém se constrói sozinho. Precisamos aprender a compartilhar, dividir, acolher, pedir ajuda e reconhecer o outro. Onde existe somente o “eu”, falta espaço para o “nós”.
Os Erês também nos devolvem a imaginação. Para uma criança, uma caixa pode virar castelo, um pedaço de madeira pode ser um cavalo e uma pequena estrada pode levar a mundos inteiros. Espiritualmente, isso nos ensina algo poderoso: nem sempre precisamos aceitar que a realidade de hoje seja o limite da realidade de amanhã.
Por isso, quando os Erês chegam ao terreiro, talvez a pergunta não seja apenas o que eles vieram nos dar.
Talvez seja:
O que nós perdemos pelo caminho que eles vieram nos ajudar a encontrar novamente?
A confiança?
A alegria?
A esperança?
A sinceridade?
A capacidade de amar?
A coragem de tentar outra vez?
Ou simplesmente a capacidade de olhar para a vida e ainda se encantar?
Neste mês de Ibejis, São Cosme e São Damião e dos nossos queridos Erês, que possamos cuidar também da criança que um dia fomos — não para permanecermos infantis, mas para não permitirmos que as dificuldades da vida endureçam aquilo que existe de mais bonito dentro de nós.
Que tenhamos a alegria dos Erês para atravessar a tristeza, a verdade para reconhecer quem somos, a curiosidade para continuar aprendendo, a humildade para pedir ajuda, a coragem para recomeçar e a pureza necessária para continuar acreditando no bem.
Porque amadurecer espiritualmente talvez não seja abandonar a criança que fomos.
Talvez seja aprender a caminhar de mãos dadas com ela.
Salve os Ibejis!
Salve São Cosme e São Damião!
Salve a força e a alegria dos Erês! ??
Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina
Onde a caridade é o nosso maior fundamento.