Quando pensamos nos Erês, é comum que a primeira imagem seja a da alegria, da brincadeira, dos doces, das cores e da espontaneidade. Mas existe algo muito mais profundo por trás dessa forma infantil de se apresentar.

Quando pensamos nos Erês, é comum que a primeira imagem seja a da alegria, da brincadeira, dos doces, das cores e da espontaneidade. Mas existe algo muito mais profundo por trás dessa forma infantil de se apresentar. Na Umbanda, os Erês não devem ser entendidos apenas como crianças. Por trás de sua linguagem simples, de seus gestos leves e de sua maneira brincalhona, existem espíritos de grande experiência, conhecimento e força espiritual. É justamente aí que mora uma de suas maiores lições: nem tudo aquilo que é simples é pequeno, e nem tudo aquilo que é grandioso precisa se mostrar complicado.

Os Erês nos ensinam que a verdadeira sabedoria não precisa vir acompanhada de orgulho. Quanto mais conhecimento adquirimos, mais deveríamos aprender a falar com clareza, acolher com paciência e olhar o outro sem superioridade. Eles nos lembram que amadurecer espiritualmente não significa endurecer. É possível ter experiência sem perder a doçura, ter firmeza sem perder a leveza e possuir conhecimento sem precisar demonstrá-lo o tempo todo. Talvez essa seja uma das maiores dificuldades da vida adulta: aprender muito sem deixar que o ego cresça junto.

Vivemos em uma época em que muitas pessoas sentem necessidade de provar quem são, mostrar o que sabem, defender suas opiniões e competir por reconhecimento. Tudo parece precisar ser explicado, exibido ou validado. Os Erês caminham no sentido contrário. Eles nos mostram que a verdade pode ser dita de maneira simples, que a cura pode chegar por caminhos inesperados e que muitas vezes aquilo que toca profundamente o coração não vem de grandes discursos, mas de um gesto sincero, de uma palavra pequena, de um sorriso, de uma presença verdadeira.

Por isso, a força dos Erês também nos convida a olhar para a forma como tratamos as pessoas. Será que estamos usando aquilo que sabemos para ajudar ou para nos colocar acima dos outros? Será que nossa experiência nos tornou mais pacientes ou mais críticos? Será que, com o passar dos anos, aprendemos a compreender mais ou apenas a julgar melhor? A sabedoria dos Erês nos mostra que crescer de verdade é conseguir permanecer humilde.

Eles também nos ensinam que a inocência não é sinônimo de ingenuidade. Há uma diferença enorme entre não conhecer o mundo e escolher não se contaminar por tudo aquilo que ele oferece. Os Erês simbolizam essa pureza consciente: conhecem as dores da existência, mas não fazem da dor sua identidade. Trazem consigo a capacidade de trabalhar, aconselhar, curar e transformar, sem abandonar a alegria. Talvez seja exatamente isso que precisamos incorporar em nossa vida: não permitir que as dificuldades nos roubem a capacidade de sermos leves, generosos e verdadeiros.

Neste mês dedicado aos Ibejis, a São Cosme e São Damião e à força dos Erês, podemos pedir que eles nos ajudem a retirar aquilo que foi endurecendo dentro de nós: o orgulho, a intolerância, a necessidade de ter razão, a vaidade de parecer mais sábio e o medo de demonstrar sensibilidade. Que possamos aprender com eles a transformar conhecimento em serviço, experiência em compreensão e força em acolhimento.

Porque talvez a maior magia dos Erês esteja justamente nisso: ter muito para ensinar e ainda assim escolher ensinar com simplicidade.

Salve os Erês! ??
Salve os Ibejis!
Salve São Cosme e São Damião!

Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina
Onde a caridade é o nosso maior fundamento.

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