No dia 29 de setembro, quando celebramos São Jerônimo, voltamos também nossos pensamentos para Xangô, Orixá da justiça, do equilíbrio, da firmeza, da responsabilidade e da sabedoria. Mas homenagear Xangô é muito mais do que acender uma vela, fazer uma oferenda ou pronunciar seu nome.

No dia 29 de setembro, quando celebramos São Jerônimo, voltamos também nossos pensamentos para Xangô, Orixá da justiça, do equilíbrio, da firmeza, da responsabilidade e da sabedoria. Mas homenagear Xangô é muito mais do que acender uma vela, fazer uma oferenda ou pronunciar seu nome. Talvez a maior homenagem que possamos prestar seja olhar para nossas próprias atitudes e perguntar: quanto das qualidades de Xangô tenho procurado incorporar à minha vida? Pedimos sua justiça quando somos injustiçados, sua força quando estamos enfraquecidos e sua proteção quando enfrentamos dificuldades, mas Xangô também nos convida a sermos instrumentos daquilo que pedimos a ele.

Xangô nos ensina que a justiça precisa começar dentro de nós. Antes de apontarmos os erros de alguém, precisamos observar nossas próprias escolhas. Tenho sido justo nas minhas palavras? Tenho julgado sem conhecer toda a história? Tenho exigido dos outros comportamentos que eu mesmo não consigo praticar? Seu oxê, o machado de duas lâminas, nos recorda que uma situação pode possuir mais de um lado e que nem sempre aquilo que enxergamos representa toda a verdade. Incorporar Xangô em nossa vida é aprender a ouvir antes de condenar, compreender antes de reagir e ponderar antes de tomar uma decisão. É substituir o julgamento precipitado pelo discernimento.

A força de Xangô também nos ensina sobre firmeza e coragem. Existem momentos em que precisamos dizer não, estabelecer limites, defender nossos valores e permanecer de pé diante das dificuldades. Entretanto, firmeza não é agressividade, autoridade não é domínio e força não é capacidade de ferir. Uma pessoa verdadeiramente forte não precisa humilhar ninguém para demonstrar poder. Xangô nos ensina a sustentar nossa palavra com dignidade, mas também a reconhecer quando estamos errados. Talvez uma das maiores demonstrações de força seja justamente conseguir dizer: “Eu errei. Preciso reparar aquilo que fiz.” Assumir as consequências das próprias escolhas também é justiça.

Xangô é equilíbrio. Quantas vezes tomamos decisões dominados pela raiva e depois lamentamos aquilo que fizemos? Quantas palavras pronunciadas em segundos permanecem durante anos no coração de alguém? O trovão nos lembra da força da palavra, mas a sabedoria nos ensina que nem todo momento exige uma resposta. Precisamos aprender a equilibrar razão e emoção, força e misericórdia, palavra e silêncio, autoridade e humildade. Nem sempre vencer uma discussão significa estar certo, e nem sempre permanecer em silêncio significa fraqueza. O verdadeiro discernimento está em saber quando falar, quando agir, quando esperar e até quando recuar.

Neste mês de Xangô, podemos colocar simbolicamente diante de sua pedreira não apenas nossos pedidos, mas também aquilo que precisamos transformar: a intolerância em compreensão, a impulsividade em equilíbrio, o julgamento em discernimento, o orgulho em responsabilidade, a agressividade em firmeza e a necessidade de ter razão na coragem de fazer aquilo que é certo. Talvez, diante de Xangô, em vez de perguntarmos somente “Meu Pai, quando a justiça será feita para mim?”, possamos ter coragem de perguntar: “Meu Pai, eu tenho sido justo?”

Que possamos levar conosco um pouco da força da pedreira de Xangô: base para não cair, firmeza para não desistir, equilíbrio para decidir, coragem para assumir nossos atos e sabedoria para não endurecermos diante da dor do outro. Que seu fogo ilumine nossa consciência sem alimentar nossa ira; que seu machado corte a mentira, a injustiça e também o nosso próprio orgulho; e que sua balança nos ensine que a transformação que desejamos encontrar no mundo precisa começar pelas nossas próprias atitudes.

Kaô Kabecilê, meu Pai Xangô! ????
Salve Xangô! Salve São Jerônimo!

Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina
Onde a caridade é o nosso maior fundamento.

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