O BRANCO É UMA COR PESADA


O BRANCO É UMA COR PESADA

No dia 28/08, foi a festa de Cigano.

Durante a semana e as preparações, eu fiquei pensando nas orientações de ir com roupas coloridas, mas não sentia isso no meu coração. Acabou que fui com a roupa de trabalho.

Fui de branco. Por um lado, fiquei pensando que eu não fiz certo, que deveria ter comprado a roupa, que deveria ter levado, que deveria ter me preparado melhor, que não custava nada pegar um monte de coisa do guarda-roupa e levar, que devia ter feito mais. Meu coração dizia: bota branco.

Um dia antes da festa, eu achei uma brecha depois de buscar as flores e a comida pra levar e fui achar um brinco de argola. Obriguei meu coração a ir escolher a argola, ele meio contrariado não tinha como impedir. Pelo menos uma argola dourada, grandona, pra dar um up do branco. Achei uma bonita folheada, brilhosa. Sai da loja com uma de latão, com um dourado apagadinho e em formato triangular. Aquela iria melhor com o branco, disseram.

Ajudei nos preparativos, na decoração, na comida. Tudo colorido, bonito, enfeitado. Eu que inventei de colocar glitter em todos os potes de vidro que enfeitaram as velas. Mas eu estava de branco. Eu vi as pessoas com sombras coloridas nos olhos, batons enfeitando sorrisos, pulseiras que acompanhavam o ritmo das palmas, faixas de cetim em cores nas cinturas, nas cabeças. Eu me sentia estranha. Meu coração falava sério: branco.

Levei, pelo menos, presilha dourada para o cabelo, pulseiras, tornozeleira fininha. Entendi que o branco era modesto. Impacientemente, me pediram branco. Nu. Mas me deram o presente de usar um colar e uma pulseira fininhos, um anel minúsculo em cada anelar. Aquelas cores não conflitavam com o branco.

Fui teimosa e enfiei a flor no cabelo, que caiu a festa inteira até eu esquecer dela. Por que aí eu resolvi usar o branco mesmo. E me orgulhar de estar com a roupa de trabalho e não ligar pra roupa. E mostrar que o branco era lindo. E no ano que vem, seria branco de novo, pra provar que pode ter branco, e seria um branco de cetim rodado, com pedras brancas e pérolas brancas. Olharam severos para mim, de cima de sua sabedoria, eu ouvia: é pra ser só um branco.

Sosseguei. Entendi o que eu nutria naquele sentimento. Com o começo das palmas no atabaque, eu aceitei e admirei o outro. Primeiro, eu precisava entender o sentimento.

Entender o que é não ter ouro, vermelho, e estar ali no meio de todos. E ali, eu servi. E ali, as saias giraram, as coloridas e as brancas, e trabalharam. E ali, eu trabalhei, porque eu não fui para a festa para outra coisa além dessa. Ali, eu senti a união, eu não fui questionada nem obrigada nem olhada diferentemente. Eu vi que me orgulhar de usar branco é usar com humildade. Usar o branco era saber-se útil além de todos os apetrechos, inclusive o apetrecho do ego. Eu vi que para doar não era necessário muito, era só estar presente, trabalhar e ouvir. É saber seu lugar naquele todo e saber admirar o outro com compaixão e alegria. O meu coração foi abraçado por essa alegria e eu só posso agradecer.

Hoje, eu estou de branco. Com saia de couro e esmalte vermelho. Já comi a pera abençoada. Eu entendi a mensagem, não sei se aprendi. Isso é com a prática.

Mas ano que vem, já me disseram vermelho. Dessa vez tem mais tempo. Alguém indica uma costureira?

Autor: Letícia - médium TUCTVC

 
Tags: Cigana, branco, TUCTVC,

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